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São José do Rio Preto:
da lenda à criação do município


A Lenda do Pássaro Azul


Para conhecer a história de São José do Rio Preto é preciso passar pela Lenda do Pássaro azul. A lenda diz que depois de montar o acampamento nas margens do rio Preto, os pioneiros Antonio de Carvalho e Silva, Luiz Antonio da Silveira e Vicente Ferreira Neto entraram na mata para fazer o reconhecimento da região e demarcar as terras férteis. Atravessando os córregos do Borá e Piedade, avançando pela floresta fazendo picadas a golpes de foice e facão. A mata era muito fechada e de acesso difícil.
No terceiro dia de caminhada, eles perceberam que estavam perdidos e não conseguiam encontrar o caminho de volta. Cansados e sem comida decidiram fazer uma promessa. Cada um deles prometeu um pedaço de terra para os seus santos de fé. Antonio fez promessa a São José, Luiz a Nossa Senhora do Carmo e Vicente a Santo Vicente Ferrer.

Dormiram e foram acordados de manhã pelo cantar bonito e exótico de um pássaro desconhecido, de lindas penas azuis. Além do cantar, o pássaro parecia querer lhes mostrar alguma coisa, cantando e saltitando de galho e galho. Intrigados, acompanharam os movimentos do pássaro, até então jamais visto por eles, e descobriram a saída, regressando sãos e salvos ao acampamento.

Classificaram a presença do pássaro como um milagre e decidiram cumprir a promessa. Tomaram posse de grandes extensões de terra, se estabeleceram, abriram suas fazendas e fizeram as doações das terras prometidas. As doações teriam sido feitas em 1847 e oficializadas em 19 de março de 1852, data que marca a fundação de São José do Rio Preto, numa festa religiosa promovida por outro pioneiro, João Bernardino de Seixas Ribeiro.
 
 

A fundação da cidade


Mas foi o mineiro João Bernardino de Seixas Ribeiro que, imigrando de Casa Branca, acompanhando o pai Antonio Bernardino de Seixas Ribeiro por volta de 1850, que construiu a primeira casa e deu origem à cidade de São José do Rio Preto. Sua família teria ganhado de D. Pedro II uma gleba de terra com 17.960 alqueires onde hoje está situado o município de Ibirá.
João Bernardino juntou a família e se dirigiu para o bairro do Rio Preto. Na altura de onde hoje se situa a esquina da rua Voluntários de São Paulo com a rua Tiradentes, ele construiu uma casa de pau-a-pique, por volta de 1851, em terreno que havia sido doado por Antonio de Carvalho e Silva a São José.

Sua casa foi a primeira a ser erguida no espaço territorial que deu origem à cidade de São José do Rio Preto. Apesar da existência de mais de uma centena de famílias morando na região, espalhadas em fazendas e roçados, foi João Bernardino quem deu início à povoação do patrimônio de São José e por isso ele é apontado como fundador de Rio Preto.

No ano seguinte, em 19 de março de 1852, João Bernardino teria reunido as famílias mais próximas para realizar uma festa religiosa em louvor a São José e aproveitou o momento para redigir uma carta à Câmara Municipal de Araraquara pedindo a criação de um distrito de Paz no bairro de Rio Preto.

Esse documento determina a data de fundação de São José do Rio Preto e foi corroborado dois anos depois, com a assinatura dos chefes de 158 famílias instaladas no vasto território rio-pretense. Os vereadores de Araraquara entenderam que era justa a reivindicação dos moradores de Rio Preto e encaminharam o documento ao governo estadual.

No dia 20 de março de 1855, o governador do Estado de São Paulo, que na época era "presidente da Província de São Paulo", José Antonio Saraiva, assinou a lei criando o Distrito de Paz e a Sub-delegacia de Polícia de Rio Preto, nomeando para o cargo de primeiro juiz de paz o cidadão Fidelis Soares da Costa enquanto João Bernardino foi nomeado sub-delegado.
 

 
O Município


São José do Rio Preto foi elevada à categoria de Município no dia 19 de julho de 1894, data em que Bernardino de Campos, governador do Estado de São Paulo, assinou a lei nº 294.

O movimento político pela criação do Município começou a tomar forma no início de 1890 sob a liderança do coronel Pedro do Amaral Campos, mais conhecido por Pedro Amaral. Ele havia se mudado para Rio Preto em 1885 onde montou um armazém de secos e molhados na rua que leva até hoje o seu nome. Em 1892, foi nomeado fiscal da vila de Rio Preto pela Câmara Municipal de Jaboticabal e se tornou a principal autoridade política da vila.

No dia 29 de outubro de 1894 foi realizada a primeira eleição municipal de São José do Rio Preto para eleger os seis primeiros vereadores: Francisco Antonio Braga, Luiz Francisco da Silva, Luiz Pinto de Moraes, Pedro Amaral, Porfírio Pimentel e Valêncio José Barbosa.

Dentre os vereadores, Luiz Francisco da Silva foi eleito o primeiro prefeito, que na época era conhecido como "intendente". Pedro Amaral foi eleito primeiro presidente da Câmara Municipal e nesse cargo ficou até 7 de janeiro de 1902. Naquela época, quem administrava a cidade era o presidente da Câmara, que era a maior autoridade política do município.Com a emancipação, consolidava-se a luta dos rio-pretenses para dar à vila contornos de cidade.



Gentilmente cedido pelo riopretense Lelé Arantes, historiador e autor entre outros do livro
"Quem Faz História em São José do Rio Preto", 2006
                                                                               








                                                                                                     Marcinho Silveira


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